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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

E A FERRUGEM ATINGIU TONY STARK...


Ninguém se empolgou muito quando o primeiro filme de produção própria da Marvel Studios foi anunciado para o verão de 2008. A adaptação de Homem de Ferro para o cinema já vinha rondando os estúdios de Hollywood  há mais de uma década, e durante um tempo até Tom Cruise esteve envolvido com o projeto. O Homem de Ferro nunca foi um personagem central da Marvel Comics, apesar de ter surgido no início dos anos 60 junto com os peso-pesados Homem-Aranha, Hulk, Quarteto Fantástico, X-Men e ter uma série mensal regular desde então. Talvez por conta dessa "pouca" popularidade, a idéia de um filme nunca tinha amadurecido de verdade, até que a própria divisão de filmes da editora resolveu focar no projeto, e escalou o problemático Robert Downey Jr. para usar a armadura dourada.  



Quase que de repente, o filme já tinha arrecadado mais de 500 milhões de dólares no mundo todo, a imagem da armadura vermelha e dourada se espalhou entre crianças e jovens, e o cinema ganhou uma nova franquia. Melhor do que isso, abriu as portas para que o Marvel Studios trouxesse para as telas todo o universo de personagens dos quadrinhos da editora (mas isso é assunto para um outro post). Robert Downey Jr. encarnou o bilionário Tony Stark com tamanha perfeição que voltou a ser um nome forte no cinema e um dos mais bem pagos atores de sua geração. 


Naturalmente - e como estamos no Rádio Matéria - vamos falar um pouco da música, que sempre foi constante e notória tanto no filme de estréia como nas duas continuações. E curiosamente, na opinião deste escriba, marcam também a derrocada CRIATIVA da série. No primeiro filme, são marcantes os temas das cenas de abertura e encerramento: Back in Black, do AC/DC e Iron Man (óbvio!) do Black Sabbath




A idéia agradou demais. Para o segundo filme, em 2010, o AC/DC preparou um álbum especial temático, com boa parte de seus clássicos. Ainda nessa linha, dois vídeos foram especialmente produzidos para promoção tanto do filme como do álbum, misturando cenas da aventura com a turnê mais recente do grupo. As músicas de destaque foram Shoot To Thrill e Highway To Hell





Em 2012, o Homem de Ferro apareceu como membro dos Vingadores, um dos maiores sucessos de bilheteria em todos os tempos (e ápice do plano da Marvel Studios). Novamente Shoot To Thrill serviu como tema do personagem, e parecia que nada mais poderia desvencilhar a imagem do herói de armadura do bom e velho rock n'roll. Maaaasss...


...lembram que eu disse "derrocada criativa" né? Pois bem. Em 2013 foi lançado o terceiro episódio da série. Curiosamente, o que mais arrecadou (mais de um bilhão e duzentos milhões de dólares) e a que menos agradou. A aventura acabou ficando em segundo plano, e a preferência do diretor Shane Black, estreando na série, foi mostrar Tony Stark agindo sem a famosa armadura e fazendo piadas nas situações mais improváveis. Opinião pessoal a parte, o nível musical sem dúvida desabou. Nem sinal de AC/DC, Black Sabbath, The Clash e Queen (essas duas apareceram de leve em Homem de Ferro 2). O tema de abertua do filme é Blue (Da Ba Dee), do Eiffel 65, grupo italiano de música eletrônica que fez sucesso no final dos anos 90 e início dos 2000. Na verdade, o próprio poster do filme era um aviso, mas ninguém levou a sério...





Não mudem de estação!

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quarta-feira, 31 de julho de 2013

BOAS VINDAS AO NOVO HOMEM SEM MEDO

Já faz tempo que eu não falo de Quadrinhos por aqui. Nesta nova fase do Rádio Matéria, vou recomeçar com uma sugestão, tanto para iniciados como para civis (sim, para os iniciados, que não é do ramo é "civil"): a nova série do Demolidor, lançada mês passado pela Panini.  


Apesar de não ser um dos personagens mais conhecidos pelo grande público, o Demolidor (no original, Daredevil) não é obscuro. Ano que vem ele completa 50 anos, e já teve até filme em 2003, estrelado por Ben Affleck e Jennifer Garner (foi quando começou o namoro do hoje casal, aliás... #NelsonRubensMode ). É a história de Matt Murdock, advogado que ficou cego ainda menino em um acidente com produtos radioativos, que lhe aguçaram todos os outros sentidos e ainda lhe conferiram uma espécie de radar. Muitas histórias já se passaram (mais de 400 edições), algumas delas muito clássicas entre os fãs, e sua saga aparentemente chegou ao fim. 


Mas mais do que personagens, esse heróis são marcas altamente rentáveis, e a série recomeçou nos Estados Unidos em 2011 com argumento do consagrado Mark Waid (com passagem por Superman, Flash, Capitão América) e arte de Paolo Rivera e Marcos Martin (mais conhecidos pelos seus trabalhos com o Homem-Aranha), chegando só agora aqui no Brasil. Você não precisa saber absolutamente nada mais do que eu disse no parágrafo anterior para curtir o gibi. O texto é ágil e bem humorado, a arte é de encher os olhos, e o roteiro é simples porém sem ofender a inteligência de quem acha que quadrinhos são feitos para crianças. Um preconceito bobo que não tem mais cabimento hoje em dia, onde as influências estão diretamente espalhadas pelo cinema, TV, internet, moda, design...


A revista tem sido premiada constantemente desde seu relançamento e continua saindo regularmente lá fora. Aqui a Panini promete lançar encadernados - com seis edições americanas cada -  trimestralmente. Cada edição custa R$ 18,90 (jabá voluntário não-patrocinado, ok?). 

Finalizando, para não deixar o programa de hoje em silêncio, as principais músicas da trilha sonora de Demolidor, O Homem Sem Medo:  For You do The Calling (que fim levou?), Bring Me To Life e My Immortal do Evanescence (banda que começou a ganhar fama internacional justamente por causa do filme). 





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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Greatest Hits: Homem-Aranha

Nunca é fácil montar um “Top 10”. Pior ainda quando o material em questão é farto e de qualidade. Homem Aranha provavelmente é a série dos quadrinhos que por mais tempo conseguiu se manter no topo, não só das vendas, mas também das boas histórias. As duzentas (isso mesmo) “primeiras” edições do título Amazing Spider-Man, por exemplo, não tem uma história sequer que seja abaixo do “bem legal”.

Porém, há histórias que definem o personagem, aquelas que destacam o que ele tem de melhor, e que não modificam sua essência, aquilo que o faz diferente dos demais, o carisma que o mantém em evidência por 45 anos, não apenas na mídia em que surgiu, mas também na TV e no cinema. Foi o que eu procurei ao elaborar a lista abaixo.

Você que só conhece os filmes, tem aí um bom guia de onde começar e se surpreender. Se você já é fã e um dia alguém te procurar para perguntar “o que eu preciso ler para entender o Homem-Aranha?”, provavelmente daria a essa pessoa um volume que compilasse as dez histórias citadas abaixo. Vamos a elas:

SE ESSE FOR MEU DESTINO
(originalmente em Amazing Spider-Man #31-33, no Brasil, em Homem-Aranha #18-20, Editora Abril)

Por que é legal? Nenhuma outra história mostra tão bem os sentimentos de Peter em relação à Tia May. Com ela à beira da morte por conta de uma transfusão do sangue do próprio Peter, nada poderá impedi-lo de tentar salvar sua vida. Nem mesmo estar soterrado sob toneladas de escombros.

ESPECTROS DO PASSADO
(originalmente em Amazing Spider-Man #238/239, no Brasil em Homem-Aranha #38. Editora Abril)
Por que é legal? Mais uma vez, ele deixou um ladrão escapar. E esse ladrão encontrou o antigo esconderijo do Duende Verde. Não demorou muito para um novo vilão aparecer na cidade: o Duende Macabro. Mais violento e mais poderoso que o original.

HOMEM-ARANHA!
(originalmente em Amazing Fantasy #15, no Brasil mais recentemente em Bliblioteca Histórica Marvel: Homem-Aranha #, Panini Comics)
Por que é legal? É a origem e a primeira aparição do Aranha, ora! Fora isso, uma bela história de aventura e tragédia, em menos de 25 páginas.
 
TERRÍVEL SIMETRIA - A ÚLTIMA CAÇADA DE KRAVEN
(originalmente em Web of Spider-Man #31-32, Amazing Spider-Man #293-294 e Spectacular Spider-Man #131-132, no Brasil mais recentemente em Os Maiores Clássicos do Homem-Aranha #2, Panini Comics)
Por que é legal? É o Aranha fora de seu cenário comum. Sem piadinhas, sem truques, para se ter uma idéia a história começa no velório de um ladrão. Kraven impõe ao aracnídeo a sua maior derrota. E a morte é só o começo.
MARÉ ALTA
(originalmente em Spider-Man versus Wolverine #1, no Brasil em Homem-Aranha #94, Editora Abril)
Por que é legal? Uma das mais sombrias histórias do Aranha em todos os tempos. Numa missão improvável, envolvendo espionagem, CIA, e a finada KGB, Peter Parker é levado ao limite, e nem o baixinho mais invocado da Marvel pode contê-lo.

A MORTE DE JEAN DEWOLFF
(originalmente em Peter Parker, The Spectacular Spider-Man #107-110, no Brasil em Homem-Aranha #87, 88, Editora Abril)
Por que é legal? Não é Electro. Não é o Lagarto. Nem o Duende Verde. Apenas um cara com uma espingarda e uma máscara de esquiador. E um dos maiores desafios da vida do Aranha.

NADA PODE PARAR O FANÁTICO
(originalmente em Amazing Spider-Man #229-230, no Brasil em Homem-Aranha #37, Editora Abril)
Porque é legal? Nada pode deter o Fanático. Nem chuva, nem neve, nem fogo. Ele é uma força da natureza. Mas o Aranha não acredita nisso...
 
O GAROTO QUE COLECIONAVA HOMEM-ARANHA
(originalmente em Amazing Spider-Man #248, no Brasil em Homem-Aranha #19, Editora Abril)
Por que é legal? Não há ação nesta história. Nenhuma batalha memorável. Apenas uma conversa entre Peter Parker e um garoto, Timothy, que acompanha tudo o que ele faz. E, mesmo assim, você verá do que é feito um herói.
A NOITE EM QUE GWEN STACY MORREU!
(originalmente em Amazing Spider-Man #121-122, no Brasil mais recentemente em Os Maiores Clássicos do Homem-Aranha #3, Panini Comics)
Por que é legal? Trata-se do momento mais trágico e emocionante da carreira do Homem-Aranha (e, talvez, da Marvel Comics) Brilhante do começo ao fim - o título só é revelado na ultima página história - os acontecimentos da história são base para praticamente tudo o que rolou com o Aranha desde então.

MEU MELHOR INIMIGO
(originalmente em Peter Parker, The Spectacular Spider-Man #200, no Brasil em Homem-Aranha #158, Editora Abril)
Por que é legal? Provavelmente, a melhor história já escrita sobre o Duende Verde. E não estou falando sobre Norman Osborn. A relação entre Peter e Harry é muito mais interessante do que os surtos de um cientista maluco que almeja ser o chefão do crime. E tudo termina aqui.

Boa leitura! E para não perder o costume, os temas dos três filmes do Aracnídeo:

Matéria publicada originalmente no site Fanboy, em 05/05/2007.
 
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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Dez grandes fases dos quadrinhos

Reparem bem no título acima! Não estou dizendo que vou falar das "dez melhores fases dos quadrinhos" mas sim citar dez grandes jornadas - runs, na gringa - inspiradíssimas, empolgantes como qualquer grande seriado da TV, e suficientes para fisgar leitores. Pelo menos para mim.

São apenas 10 agora, mas podem estar certos de que existem muitas mais, e que futuramente serão citadas em novos posts. Preparem-se para colocar o DC++ para funcionar, ou se aventurar no sebo mais próximo. Ou ainda abrir suas caixas de velharias:


- Giant-Size X-Men #1, Uncanny X-Men #94-280, X-Men #1-3



Chris Claremont escreveu os X-Men durante 17 anos. Não há como falar no sucesso dos mutantes sem reverenciar esse período. Praticamente tudo que fez dos X-Men um recordista de vendas surgiu aqui. E o véio ainda teve a sorte de contar com feras do lápis, como Dave Cockrum, John Byrne, Paul Smith, John Romita Jr. Marc Silvestri e Jim Lee. Obrigatório.


- JLA #1-41


Houve um tempo que a Liga da Justiça estava no ostracismo. Se hoje você não consegue imaginar uma banca sem o gibi do principal grupo dos quadrinhos, se adora o desenho da TV, você deve isso a Grant Morrison, que trouxe o grupo de volta ao patamar que merece em 1997.

- Amazing Fantasy #15, Amazing Spider-Man #1-200


"Virou apelação", você deve estar pensando. Até parece, mas não é. Se hoje parece impossível que qualquer série, seja nos quadrinhos, na TV ou no cinema, mantenha o alto nível por tanto tempo, é porque você não conheceu o auge da revista Amazing Spider-Man. E a edição #200 marca finalmente o confronto do herói com o responsável pela sua existência. E não termina como você imagina.

- Daredevil #168-191


Carne de vaca, figurinha fácil em qualquer lista de "melhores", mas não é nenhum exagero. Os dois anos em que o então novato Frank Miller cuidou dos roteiros e da arte da então falida revista do Demolidor não serviram apenas para tornar relevante um personagem de segundo escalão. Foi um daqueles momentos em que você percebe que não dá mais pra dar gibizinhos para as crianças brincarem.

- JSA Secret Files, JSA #1-81



Você, caro ouvinte, assistiu o filme Watchmen e achou legal aquele grupo de heróis retrô, que lutou na Segunda Guerra e usava uniformes de cosplay? Pois saiba que isso já existia muito antes, e que infelizmente foi relegado ao limbo, numa época em que a DC Comics tinha vergonha de ser a irmã mais velha. Em 1999, dois caras resolveram dar à Sociedade da Justiça a importância que merecia, e o resultado é espetacular. Bem vindos à família!


- Animal Man #1-26



Olha o Morrison aqui de novo! (e você ainda vai vê-lo mais uma vez neste post). No primeiro trabalho do escocês para a DC Comics, um personagem de quinto escalão se torna estrela por se envolver em temas atuais (até hoje, 20 anos depois) e encarar a sua própria realidade. Realidade? De gibi? Sim, essa mesma!


- Starman #1-80



Heroísmo se passa de pai para filho? Conheça Jack Knight, o relutante filho do Starman original, que não tem nenhum interesse em manter o legado do pai. O que o faria mudar de idéia? Ele está à altura do serviço? Uma das melhores séries dos anos 90, que não foram tão improdutivos como pintam.


- Incredible Hulk #245-300


Bill Mantlo foi um dos grandes nomes da Marvel Comics nos anos 70 e 80, até um acidente interromper sua carreira. Ele trabalhou com o Hulk por mais de cinco anos, e este é seu grande momento. Não apenas dele, mas também do Hulk, visto por muitos incautos como um personagem raso. De criaturas da noite a corporações internacionais, de seres cósmicos a questão Palestina. Já está surpreso?
- Preacher #1-66 +especiais
Outra figurinha fácil. Jesse Custer se torna o emissário de uma criatura divina chamada Gênesis, e parte - em companhia de seus amigos Cassidy e Tulipa - em busca de Deus. O grande trabalho da carreira de Garth Ennis. Palavrões, escatologia, romance e muitos tiros. Tarantino morre de inveja por não ter pensado nisso antes.
- New X-Men #114-154
A franquia mutante vinha se arrastando por quase 10 anos, amparada apenas em seus fãs (e fã tá lá na saúde e na doença), já que boas histórias eram (muito) escassas. Até chegar Grant Morrison! Uma chacoalhada geral no universo mutante, que serviu de base para coisas (algumas impensáveis) que norteiam os títulos até hoje.




Divirtam-se e não mudem de estação!

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